terça-feira, 31 de julho de 2012

Codinome Beija-Flor

Sem inspiração para escrever, vamos copiando...
Música linda, significado imenso...
dia ruim.


Codinome Beija-Flor
(Cazuza)
Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou
Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor
Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor
Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Família...

Hoje acordei feliz, me sentindo de bem com a vida e principalmente, muito esperançosa de dias melhores. Pretendo tratar melhor os motivos de estar me sentindo tão bem num outro momento.
O que quero compartilhar agora é o texto abaixo, que recebi de uma amiga logo no início do dia.
Prepare-se. É daqueles textos que, se não arrancam lágrimas da gente, nos deixam muito melancólicos, embora felizes.
Espero que você goste e se emocione também!

Trechos do livro"O arroz de Palma" de Francisco Azevedo.

 "Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...
 ...Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...
 ...Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o  apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida.

 Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria?
 Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, que o surpreendeu e foi morar  longe. Ela, a mais apaixonada.
 A outra, a mais consistente...

 ...Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

 Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.  Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

 Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou  daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre.

 Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem  pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher.  Saber meter a colher é verdadeira arte.

 Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.  O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.

 Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à  Rossini, Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o  sangue é fundamental para o preparo da iguaria).

 Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família, a seu jeito.

 Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.  Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.

 Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

 Enfim, receita de família não se copia, se inventa.  A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.

 O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
 Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
 Aproveite ao máximo, pois - Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A despedida

Despeço-me da saudade, do desejo e da vontade.
Despeço-me das noites em que acordava de madrugada e não voltava a dormir, lembrando de você .
Dou um "até nunca mais" às doces lembranças e decido que é hora de seguir viagem.
Vagava sozinha entre casais e risos, festas e solidão disfarçada. Não, não quero mais isso.
Quero uma viagem solitária, mas encorajadora. Sem passado, sem planos para o futuro, sem você.
Não quero mais me sentir presa sem de fato estar. Não quero as correntes, os elos de aço nem de pensamentos.
Um sentimento que de tanto se fazer presente, me escravizou. Não, as coisas não têm que ser assim. Não mais. Não neste momento.
Adeus tudo de bom e de mau que me ligou a você. Vou seguir sozinha. E se quiser vir, temo ser muito tarde.
Não há mais o mesmo encanto, a mesma admiração... não existe mais a persistência pra fazer dar certo e o que era bonito ficou feio.
O que poderia ser feliz ficou triste, sem graça, sem vida... virou uma lembrança empoeirada, que não quer ser remexida mais... ou porque dói ou porque não vale a pena.
Sim, de fato aconteceu. Você perdeu.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Acumulando coisas

Sou uma pessoa de hábitos estranhos. Gosto de guardar meus momentos.
Se eu pudesse, teria vários armários, com várias gavetinhas, e em cada uma delas ia guardando tudo que me fosse acontecendo durante os dias, os meses e os anos.
Aí, na hora que a saudade batesse, era só eu abrir a gavetinha da saudade e lá estariam todos os bons momentos guardados.
Noutra hora, precisando me tornar mais sábia, abriria a portinha do conhecimento, e como num catálogo, experiências dos mais variados temas surgiriam.
Tudo seria perfeito... e me conhecendo tão bem, tenho certeza que este seria o cômodo da casa mais explorado.
Gosto das lembranças, gosto da minha memória, me recuso a esquecê-las guardadas em um canto qualquer do passado.
E quando remexemos esse passado, essas lembranças saem da caixinha e nos alegram...
Mas se quisermos colocá-las de volta na roda da vida, elas se perdem... perdem a beleza, a magia... e ficam velhas e empoeiradas.
Sei lá, acho que o passado está para as boas lembranças assim como o presente está para os acontecimentos imediatos... não podemos misturá-los por muito tempo sob pena de fazer morrer o encanto. E assim, depois de breve espiadinha, acho melhor fechar a gaveta e continuar guardando tudo... até outro dia.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Oneomania

Ganhei de aniversário o livro "A arte de ser leve", de Leila Ferreira. Ainda estou lendo e tendo várias idéias que quero debater melhor comigo antes de escrever aqui... mas esse trecho do livro eu achei perfeito para o mundo cada vez mais consumista em que nos encontramos:

"Se o esforço que sou obrigado a despender para ter uma coisa é maior que a satisfação que ela me traz, então não vale a pena. É tudo uma questão de medida, que varia de pessoa para pessoa. Há quem aguente um chefe que chateia o ano todo apenas para poder ir à Europa uma vez por ano. (...) Trabalhar mais horas e passar cada vez menos tempo com os amigos e a família para comprar aquele apartamento de luxo. Deixar-se envenenar por um emprego que nos traz zero de alegria para trocar de carro a cada dois anos. Perder o sono pensando nas dívidas feitas para adquirir aquilo que não era necessário, mas vai proporcionar status. Dependendo da medida de cada um, tudo isso pode aumentar substancialmente o peso que se carrega pela vida afora. em troca de algumas "coisas", corre-se o risco de vender a alma em suaves (ou nem tão suaves) prestações."

segunda-feira, 5 de março de 2012

São as águas de março...

Março começou e com ele a vontade de fazer um apanhado dos meus desejos.
Explico já, é que este mês completo 30 anos de vida. Sim, passarei para o time das balzaquianas, da mulheres interessantes e experientes e blá blá blá...
O fato é que essa idéia ainda não é tranquila no meu dia a dia, muito por conta do que a sociedade me cobra e são essas amarras sociais que me deixam cismada.
Às vezes me sinto como alguém totalmente fora do contexto. Todas as minhas decisões foram e continuam sendo contrárias às regras que parecem virar lei para a maioria.
Desde criança, nunca sonhei com casamento, vestido branco ou príncipe encantado. Sempre gostei do pouco convencional. Desde o sonho de ser cientista, que logo que fui apresentada à química abandonei, até a paixãozinha pelo garoto mais rebelde do colégio.
Não penso em filhos por enquanto. Quero ter a opção, mas para o futuro. Só que faço 30 este ano e as pessoas já me cobram  como se o futuro estivesse tão presente a ponto de dizerem um monte de besteira (tá bom, talvez nem tão besteira). Procuro, procuro e não consigo achar o tal do instinto maternal... isso também acho que vem da infância, quando eu inventava de fazer as bonecas ficarem doentes pra acabar com a brincadeira quando me cansava, o que sempre acontecia uns 30 minutos após a casinha das bonecas ficar pronta.
Também não dirijo. Não gosto, tenho medo, não curto. Isso me faz certa falta, mas nada que não possa ser superado. Fiz uma faculdade da qual descobri só gostar da teoria. Na prática, tenho pavor do direito e dos seus trâmites. Prefiro um bom livro a um bom filme, ou mesmo um programa de TV. Aliás, TV pra mim não é diversão, é falta do que fazer. E sendo assim, não ligo a mínima se o meu aparelho é mega ultrapassado.
E todas essas minhas “manias” são tidas como defeitos graves por todos à minha volta. Críticas e mais críticas por todos os lados.
Não gosto de música sertaneja, não gosto de pagode, não gosto de funk.
Será que sou uma espécie de ET em meio ao mundo globalizado das pessoas felizes, dos casais convencionais com seus bebês chorões e seus programinhas enfadonhos domingo no parque?
Já já começo mais uma etapa. Gostaria de manter a minha autenticidade e não sucumbir à maldita pressão social, mas alguém me convida para um casamento e eu já logo penso que é chato ir nas festas de casamento sem um par... porque “as pessoas” comentam.
Queria descobrir um mundo onde as minhas vontades fossem respeitadas, onde eu fosse forte o suficiente para mostrar que eu posso sim, ser feliz do jeito que eu quiser porque não adianta, sou teimosa demais para aceitar qualquer coisa diferente disso.
Se não posso ter o que eu quero - o que EU julgo melhor pra mim, prefiro não ter.
Simples né?