Ganhei de aniversário o livro "A arte de ser leve", de Leila Ferreira. Ainda estou lendo e tendo várias idéias que quero debater melhor comigo antes de escrever aqui... mas esse trecho do livro eu achei perfeito para o mundo cada vez mais consumista em que nos encontramos:
"Se o esforço que sou obrigado a despender para ter uma coisa é maior que a satisfação que ela me traz, então não vale a pena. É tudo uma questão de medida, que varia de pessoa para pessoa. Há quem aguente um chefe que chateia o ano todo apenas para poder ir à Europa uma vez por ano. (...) Trabalhar mais horas e passar cada vez menos tempo com os amigos e a família para comprar aquele apartamento de luxo. Deixar-se envenenar por um emprego que nos traz zero de alegria para trocar de carro a cada dois anos. Perder o sono pensando nas dívidas feitas para adquirir aquilo que não era necessário, mas vai proporcionar status. Dependendo da medida de cada um, tudo isso pode aumentar substancialmente o peso que se carrega pela vida afora. em troca de algumas "coisas", corre-se o risco de vender a alma em suaves (ou nem tão suaves) prestações."
quinta-feira, 22 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
São as águas de março...
Março começou e com ele a vontade de fazer um apanhado dos meus desejos.
Explico já, é que este mês completo 30 anos de vida. Sim, passarei para o time das balzaquianas, da mulheres interessantes e experientes e blá blá blá...
O fato é que essa idéia ainda não é tranquila no meu dia a dia, muito por conta do que a sociedade me cobra e são essas amarras sociais que me deixam cismada.
Às vezes me sinto como alguém totalmente fora do contexto. Todas as minhas decisões foram e continuam sendo contrárias às regras que parecem virar lei para a maioria.
Desde criança, nunca sonhei com casamento, vestido branco ou príncipe encantado. Sempre gostei do pouco convencional. Desde o sonho de ser cientista, que logo que fui apresentada à química abandonei, até a paixãozinha pelo garoto mais rebelde do colégio.
Não penso em filhos por enquanto. Quero ter a opção, mas para o futuro. Só que faço 30 este ano e as pessoas já me cobram como se o futuro estivesse tão presente a ponto de dizerem um monte de besteira (tá bom, talvez nem tão besteira). Procuro, procuro e não consigo achar o tal do instinto maternal... isso também acho que vem da infância, quando eu inventava de fazer as bonecas ficarem doentes pra acabar com a brincadeira quando me cansava, o que sempre acontecia uns 30 minutos após a casinha das bonecas ficar pronta.
Também não dirijo. Não gosto, tenho medo, não curto. Isso me faz certa falta, mas nada que não possa ser superado. Fiz uma faculdade da qual descobri só gostar da teoria. Na prática, tenho pavor do direito e dos seus trâmites. Prefiro um bom livro a um bom filme, ou mesmo um programa de TV. Aliás, TV pra mim não é diversão, é falta do que fazer. E sendo assim, não ligo a mínima se o meu aparelho é mega ultrapassado.
E todas essas minhas “manias” são tidas como defeitos graves por todos à minha volta. Críticas e mais críticas por todos os lados.
Não gosto de música sertaneja, não gosto de pagode, não gosto de funk.
Será que sou uma espécie de ET em meio ao mundo globalizado das pessoas felizes, dos casais convencionais com seus bebês chorões e seus programinhas enfadonhos domingo no parque?
Será que sou uma espécie de ET em meio ao mundo globalizado das pessoas felizes, dos casais convencionais com seus bebês chorões e seus programinhas enfadonhos domingo no parque?
Já já começo mais uma etapa. Gostaria de manter a minha autenticidade e não sucumbir à maldita pressão social, mas alguém me convida para um casamento e eu já logo penso que é chato ir nas festas de casamento sem um par... porque “as pessoas” comentam.
Queria descobrir um mundo onde as minhas vontades fossem respeitadas, onde eu fosse forte o suficiente para mostrar que eu posso sim, ser feliz do jeito que eu quiser porque não adianta, sou teimosa demais para aceitar qualquer coisa diferente disso.
Se não posso ter o que eu quero - o que EU julgo melhor pra mim, prefiro não ter.
Simples né?
Se não posso ter o que eu quero - o que EU julgo melhor pra mim, prefiro não ter.
Simples né?
domingo, 26 de fevereiro de 2012
O Sonho, Clarice Lispector
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela
só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas
que passam por suas vidas.
Hoje não foi um bom dia... definitivamente.
Mais uma vez a realidade sobrepõe "o sonho".
Não sei mesmo por quanto tempo o sentimento vai se manter vivo.
Cada dia morre um pedacinho do sonho, sufocado pelas imagens do dia a dia...
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela
só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas
que passam por suas vidas.
Hoje não foi um bom dia... definitivamente.
Mais uma vez a realidade sobrepõe "o sonho".
Não sei mesmo por quanto tempo o sentimento vai se manter vivo.
Cada dia morre um pedacinho do sonho, sufocado pelas imagens do dia a dia...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Pinheirinho
O que normalmente se diz é que brasileiro tem memória curta
para casos sociais relevantes.
Eu poderia então justificar o atraso em comentar o tema como
um teste à memória dos meus raros prováveis leitores, mas essa não é bem a
verdade. Foi preguiça mesmo...
E nesse tempo de preguiça, aproveitei para ler muita coisa,
ouvir comentários contrários e uns poucos a favor, pesei todos os argumentos e
agora sim, tenho uma opinião a respeito do ocorrido.
Bem diferente do que aprendi sobre o Direito, os fatos
ocorridos em São José dos Campos – município com um dos maiores orçamentos “per
capita” do Brasil, foram justificados em nome da lei, como se pudéssemos admitir
o direito como instrumento para o cometimento de atrocidades.
Vamos aos fatos:
Um terreno foi invadido não permitindo a posse tranquila ao seu titular e portanto, precisa ser desocupado.
Sendo assim, as ações de desocupação foram justificadas com base no direito de
propriedade.
Parece pacífico, mas se analisarmos com um pouco mais de
cuidado, encontraremos previsto constitucionalmente que o direito de propriedade
deve atender à sua função social (art.5º, XXIII da CF). Sem esse pressuposto
nenhum direito de propriedade poderia ser exercido. Além disso a Constituição
Federal ainda garante, a todos os cidadãos, como preceito fundamental, o direito
à moradia. E, somente analisando isso, já podemos deduzir que a ocupação, para
fins de moradia, de uma terra improdutiva e abandonada, sem uma finalidade
social, não é mera invasão. Diante de uma ocupação desta natureza, compete ao
proprietário, demonstrar a posse e principalmente, provar a função social desta
propriedade. Do contrário, a ocupação pode ser vista como uma desapropriação
indireta do imóvel, agindo o particular em substituição ao Estado, que se mostra
inerte em duas fases: na não realização de políticas públicas efetivas de
construção de moradias dignas para todos e no controle exigente das finalidades
sociais das propriedades privadas.
Não havendo essa preocupação do Estado, entendo que o
ocorrido não foi mera invasão, mas sim, um ato desorganizado para extrair do
Estado a garantia dos preceitos constitucionais do direito à moradia e da função
social da propriedade. Diferente do que tentaram justificar, não se tratou de
ato de pessoas espertas que quiseram se aproveitar da situação, passando à
frente de milhões de brasileiros que também não têm onde morar, pois, como bem
disse Ricardo Boechat (http://www.ovale.com.br/ricardo-boechat-exp-e-sua-opini-o-sobre-o-pinheirinho-e-n-o-poupa-ninguem-1.210998)
ao comentar o assunto, nenhum esperto tem como projeto de vida morar em um
terreno ocupado, em precárias condições habitacionais. Os espertos estão em
outros lugares, bem mais confortáveis...
Claro, num ambiente de extrema pobreza, também havia usuário
de droga e objetos frutos de furto, mas isso em nada justifica a tamanha
crueldade com que foram expulsos. Se formos realistas, drogas podem ser
encontradas em qualquer tipo de sociedade e os objetos furtados não representam,
por si, identificação de autoria de crime, e mesmo que fosse, a pena aplicada
para furto não é a perda do direito à moradia.
Essas pessoas são apenas vítimas da histórica péssima
distribuição de renda que reina em nosso país.
O ato de reintegração não poderia jamais ter sido feito de
forma a atingir a integridade física das pessoas, mesmo se tratadas
juridicamente como invasoras. E mesmo que, justificado pela resistência,
houvesse a necessidade de expulsá-las de forma abrupta e violenta como o
fizeram, por que fazer isso num domingo à noite, fazendo com que estas deixassem
seus documentos e pertences para trás? Fazendo como que fossem separados, numa
espécie de “triagem”, sendo obrigados a utilizarem pulseiras com cores
diferentes nos abrigos, para que pudessem ser identificadas como moradoras deste
abrigo?
Tudo isso para entregar o terreno ao seu proprietário? Uma
massa falida?...
Os moradores do Pinheirinhho foram
presos sem processo, já que ficaram várias horas impossibilitados de sair do
assentamento, foram marcados como se estivessem em um campo de concentração,
foram desalojados e conduzidos coercitivamente, a um local inabitável, sem
qualquer condição de higiene. Ou seja, foram profundamente agredidos em sua
dignidade. E onde estava o Princípio Fundamental da Dignidade da Pessoa
Humana??? -Art. 1º, III da CF. Além deste, outros
princípios fundamentais foram desrespeitados, como o art.3º e 4º, II da CF, que
tratam da construção da sociedade livre, justa e solidária e da
prevalência dos direitos humanos.
O caso Pinheirinho foi uma verdadeira barbárie e a nossa
sociedade precisa encontrar uma solução que traga, instantaneamente, a
credibilidade na eficácia dos preceitos fundamentais da Constituição Federal.
Caso isto não aconteça, corremos o risco de ver ações como
estas legitimadas por intermédio de um Direito que tolera atrocidades, como se
os autores não fossem responsáveis pelos seus atos, apresentando-se apenas como
cumpridores da lei, sem que estas sejam aplicadas de forma consciente e humana.
Seremos como escravos dominados pelos seus senhores, que utilizam a legislação
vigente conforme seus interesses .
sábado, 28 de janeiro de 2012
Um janeiro quase igual aos outros...
Mal começou, e 2012 já disse a que veio. Não fosse somente a chuva para nos atormentar, os desastres naturais... convivemos ainda neste primeiro mês do ano com um tragédia de proporções e causas ainda inexplicáveis (prefiro pensar assim....).
Sexta-feira pela manhã, ainda abalada pelas notícias da tragédia no centro do Rio (sim, essas notícias me abalam sinceramente), em meio a matérias sensacionalistas de jornais que se dizem preocupados com a informação mas que na verdade não param de especular e espezinhar a dor alheia em busca de audiência, tive acesso ao texto abaixo... e achei de uma inteligência ímpar, e acima de tudo... de muita sensibilidade.
Pois bem, nesta semana em que as idéias me fogem, acho justo divulgá-lo neste espaço como forma de tornar mais abrangente sua temática quase poética, embora triste.
"Peço desculpas se ocupo vosso tempo e o dos leitores com divagações deste provecto e solitário carioca, que vive em sua vetusta morada aos pés da Rua do Jogo da Bola, no castigado centro do Rio de Janeiro.
Contemplando as mazelas que afligem esta urbe moderna, fico saudoso do tempo em que nossos avós, os sinhozinhos e as nhanhãs de outrora, passeavam despreocupados, com seus tílburis, pelas ruas da Corte, sem jamais imaginar que seus descendentes sofreriam com bueiros a explodir, arranha-céus a desmoronar e helicópteros a perturbar seu sono.
Quando falo nisso, meus sobrinhos dizem que estou a romantizar o passado, que a cidade antiga, com suas vielas infectas e suas epidemias de febre amarela, estava longe de ser um paraíso, mas essa nostalgia do que não vivi insiste em habitar minha cachola, talvez perturbada pelo incessante funk que meu jovem vizinho insiste em ensinar para todos os moradores do Morro da Conceição.
De uns tempos para cá, dei para imaginar que as tragédias que se abatem sobre esta cidade são vinganças que o passado fica a engendrar, em represália aos maus-tratos que o progresso causou à memória desta terra.
Assim, passei a ver a tragédia do Bateau Mouche como uma resposta do Deus Netuno aos muitos aterros que avançaram sobre seus domínios. A explosão de um prédio na Praça Tiradentes, como uma retaliação arquitetada por Clio, a musa da História, diante de um contrassenso : como é que a cidade ergue, no meio de uma praça dedicada ao Mártir da Inconfidência, uma estátua de Dom Pedro Primeiro, um neto daquela desassisada rainha que foi a algoz do nosso herói?
Tudo isso me vem à baila quando penso na tragédia mais recente da cidade, que pôs abaixo três prédios da Rua Treze de Maio. A Treze de Maio, que já se chamou Rua da Guarda Velha, porque ali o velho Gomes Freire havia estabelecido um corpo de guarda para conter a algazarra dos escravos que vinham buscar água no Chafariz da Carioca... A Treze de Maio, que já abrigou o Teatro Lírico, onde brilharam Caruso, Sarah Bernhardt e Duse, e onde Toscanini pela primeira vez regeu uma orquestra... A Treze de Maio, que deveria ser tão cara para os jornalistas, pois ali ficava o prédio neogótico da Imprensa Nacional, ali Irineu Marinho fundou O Globo, e Chateaubriand instalou num certo momento seu império.
E não deixa de ser irônico o fato de que um dos edifícios destruídos agora fica na pequena Rua Manuel de Carvalho, cujo nome homenageia um dos mestres da engenharia brasileira, auxiliar de Paulo de Frontin na epopeia de construção da Avenida Central.
Recuo mais no tempo e me recordo que, ocupando o leito da atual Treze de Maio, havia uma lagoa, a de Santo Antônio. E, voltando à conspiratória teoria da Vingança da História, fico a imaginar se não haveria nessa tragédia uma revanche tardia dos sapos da antiga lagoa. Afinal, os sapos, barbudos ou não, podem causar muitos estragos..."
(Por Tertuliano Vahia Monteiro de Sá e Benevides)
Publicado no site www.migalhas.com.br (edição nº2803).
Sexta-feira pela manhã, ainda abalada pelas notícias da tragédia no centro do Rio (sim, essas notícias me abalam sinceramente), em meio a matérias sensacionalistas de jornais que se dizem preocupados com a informação mas que na verdade não param de especular e espezinhar a dor alheia em busca de audiência, tive acesso ao texto abaixo... e achei de uma inteligência ímpar, e acima de tudo... de muita sensibilidade.
Pois bem, nesta semana em que as idéias me fogem, acho justo divulgá-lo neste espaço como forma de tornar mais abrangente sua temática quase poética, embora triste.
"Peço desculpas se ocupo vosso tempo e o dos leitores com divagações deste provecto e solitário carioca, que vive em sua vetusta morada aos pés da Rua do Jogo da Bola, no castigado centro do Rio de Janeiro.
Contemplando as mazelas que afligem esta urbe moderna, fico saudoso do tempo em que nossos avós, os sinhozinhos e as nhanhãs de outrora, passeavam despreocupados, com seus tílburis, pelas ruas da Corte, sem jamais imaginar que seus descendentes sofreriam com bueiros a explodir, arranha-céus a desmoronar e helicópteros a perturbar seu sono.
Quando falo nisso, meus sobrinhos dizem que estou a romantizar o passado, que a cidade antiga, com suas vielas infectas e suas epidemias de febre amarela, estava longe de ser um paraíso, mas essa nostalgia do que não vivi insiste em habitar minha cachola, talvez perturbada pelo incessante funk que meu jovem vizinho insiste em ensinar para todos os moradores do Morro da Conceição.
De uns tempos para cá, dei para imaginar que as tragédias que se abatem sobre esta cidade são vinganças que o passado fica a engendrar, em represália aos maus-tratos que o progresso causou à memória desta terra.
Assim, passei a ver a tragédia do Bateau Mouche como uma resposta do Deus Netuno aos muitos aterros que avançaram sobre seus domínios. A explosão de um prédio na Praça Tiradentes, como uma retaliação arquitetada por Clio, a musa da História, diante de um contrassenso : como é que a cidade ergue, no meio de uma praça dedicada ao Mártir da Inconfidência, uma estátua de Dom Pedro Primeiro, um neto daquela desassisada rainha que foi a algoz do nosso herói?
Tudo isso me vem à baila quando penso na tragédia mais recente da cidade, que pôs abaixo três prédios da Rua Treze de Maio. A Treze de Maio, que já se chamou Rua da Guarda Velha, porque ali o velho Gomes Freire havia estabelecido um corpo de guarda para conter a algazarra dos escravos que vinham buscar água no Chafariz da Carioca... A Treze de Maio, que já abrigou o Teatro Lírico, onde brilharam Caruso, Sarah Bernhardt e Duse, e onde Toscanini pela primeira vez regeu uma orquestra... A Treze de Maio, que deveria ser tão cara para os jornalistas, pois ali ficava o prédio neogótico da Imprensa Nacional, ali Irineu Marinho fundou O Globo, e Chateaubriand instalou num certo momento seu império.
E não deixa de ser irônico o fato de que um dos edifícios destruídos agora fica na pequena Rua Manuel de Carvalho, cujo nome homenageia um dos mestres da engenharia brasileira, auxiliar de Paulo de Frontin na epopeia de construção da Avenida Central.
Recuo mais no tempo e me recordo que, ocupando o leito da atual Treze de Maio, havia uma lagoa, a de Santo Antônio. E, voltando à conspiratória teoria da Vingança da História, fico a imaginar se não haveria nessa tragédia uma revanche tardia dos sapos da antiga lagoa. Afinal, os sapos, barbudos ou não, podem causar muitos estragos..."
(Por Tertuliano Vahia Monteiro de Sá e Benevides)
Publicado no site www.migalhas.com.br (edição nº2803).
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Entretenimento X Cultura
Essa semana foi difícil chegar até aqui, sentar e
escrever... Escrever sobre o quê? Tantas bobagens nos veículos de comunicação,
assuntos sérios pouco comentados e a garota Luiza virando manchete o tempo
todo.
Big Brother Brasil também já começou sendo assunto. Escolho
falar sobre isso então.
Li muito sobre o Big Brother Brasil esta semana... críticas
e mais críticas. Todos dizendo que o programa é um lixo e que não agrega
nenhuma cultura aos telespectadores. Bom, eu não acho que novela, Jornal
sensacionalista e cervejinha no final de semana me traga alguma cultura também
não.
O que eu estou querendo dizer... BBB é um programa de
entretenimento! Tá certo, não consigo ter minha atenção despertada para esse
tipo de entretenimento, assim como não consigo assistir Zorra Total ou
Pânico... mas isso não significa que o programa não sirva para este fim.
Conheço muita gente que assiste e se diverte.
E aí, me desculpem aqueles que só criticam... mas não só de
cultura a gente sobrevive. Quer programação cultural? Vá ao teatro, visite um
museu... assista National Geografic... Quer uma programação light? Vamos
discutir política ou filosofia. Vamos nos revoltar com a farra dos nossos
políticos e repetir seus nomes nas redes sociais tanto quanto o nome Luiza, que
nem podia se defender pois estava no Canadá (!!!).
Vamos tornar o BBB mais culto? Então, vamos lá... vamos
discutir o fato do participante Daniel ter sido expulso. O que vocês acham? Ele
transgrediu alguma regra? Qual a sua opinião, o que você pensa e sabe do
assunto? Me diga você, pessoa tão culta, tão preocupada com a moral e os bons
costumes e tão crítico quando o assunto é a programação da TV popular.
Espero não ser mal interpretada mas acho que as pessoas
precisam deixar a hipocrisia de lado e assumirem seus papéis na sociedade.
Bom, pra finalizar, gostaria de deixar aqui um trecho de uma
matéria que eu li hoje no site JusBrasil (http://amp-mg.jusbrasil.com.br/noticias/2994411/o-brasil-nao-conhece-os-limites-do-abuso-sexual).
Diz assim: “As mudanças na tipificação penal de crimes sexuais feitas em 2009
no Código Penal Brasileiro colocam o país como um dos mais severos no
tratamento desse tipo de violência. Mas, como mostram as reações do público
diante das suspeitas de abuso sexual na edição de domingo do Big Brother Brasil , da Rede Globo, o
padrão nacional ainda é o de desconhecimento da lei e dos limites do que é
estupro. A lei brasileira considera estupro, por exemplo, o beijo forçado que é
aplicado em uma noitada, ou constrangimentos contra os quais a vítima não possa
se defender. Apesar do rigor do texto, o entendimento da maioria da população
parece congelado na interpretação de que só com penetração há o crime”.
Então é isso. Vamos nos informar melhor antes de opinar e divulgar
somente aquilo que realmente é importante. Ao invés de julgar o programa, vamos
julgar as atitudes das pessoas e tentar fazer com que casos lamentáveis como
esse (que tenho certeza, são muito comuns na nossa sociedade) sejam usados para
informar, esclarecer e auxiliar aqueles que não têm acesso à ampla informação.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Final de semana na praia...
Final de semana na praia. Sol forte, calor... tudo que
brasileiro ama.
A dor de cabeça começa na hora de achar uma vaga para
estacionar. Isto feito, é a hora do flanelinha. Começo a pensar: “... isso é um
absurdo, pois já temos que pagar IPVA, ainda temos que pagar (ainda pior,
informalmente) por uma vaga na rua, que é um bem público? Não somos obrigados...
mas pagamos pra não correr o risco de ter o carro danificado... cadê a
fiscalização do Estado?”.
Bom, melhor deixar esses pensamentos de lado, ou vou me
aborrecer. Chego na praia e tenho a impressão de que não me cabe ali. Não que
existam muitos banhistas, mas todas as cadeiras e guardassóis dos quiosques estão abertos demarcando
território. “Bom, achei que a praia também era pública... mas vamos lá”.
Tento saber o preço para alugar um guardassol, três
cadeiras... e descubro que ali existe “consumação mínima”. De novo, “aprendi na
faculdade que nenhum consumidor pode ser obrigado a consumir determinado valor
em produtos, pois isso configura compra casada, que é vedada no art. 39,
I do CDC”...
Meus amigos começam a me olhar com aquela cara de não tem
outro jeito... e mais uma vez, acho melhor relaxar e não pensar em nada que
não seja sol, mar, protetor...
Bate uma fomezinha e a gente pede uma porção de camarão, que
quando chega, só de olhar desanima comer. Mas nessa hora, deixo a minha irmã
(nutricionista) assumir o papel da politicamente correta... Controlo
minha fala mas não meus pensamentos... “O cuidado na conservação dos
alimentos nas praias no verão, em virtude das altas temperaturas, é fundamental.
São comuns as intoxicações alimentares, pela contaminação do gelo, da água,
assim como das mãos de quem prepara. Determinados produtos, como peixes e frutos
do mar, perecem com facilidade e causam constantemente problemas aos
consumidores. Deve haver fiscalização, especialmente por parte das vigilâncias
sanitárias, para evitar que alimentos deteriorados e adulterados sejam
consumidos, mas...”
E por fim, algum atleta desavisado me acerta uma
bolada na cabeça... “normalmente existe legislação municipal limitando/proibindo
as práticas esportivas em determinados horários, justamente para garantir a
plena utilização/segurança de todos. Deduzo que deva ser a tal providência
divina querendo me fazer parar de pensar nisso tudo e aproveitar o final de
semana sem me preocupar com essas bobagens, afinal, isso sempre vai existir
mesmo... “ e eu o desculpo dizendo beleza, tá tranquilo!
Dentro de mim, o monstro chamado indignação enfim
dorme... respiro aliviada, dou gargalhada da situação e um mergulho, já tendo a
certeza de que este dia vai virar texto para o blog.
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