quinta-feira, 22 de março de 2012

Oneomania

Ganhei de aniversário o livro "A arte de ser leve", de Leila Ferreira. Ainda estou lendo e tendo várias idéias que quero debater melhor comigo antes de escrever aqui... mas esse trecho do livro eu achei perfeito para o mundo cada vez mais consumista em que nos encontramos:

"Se o esforço que sou obrigado a despender para ter uma coisa é maior que a satisfação que ela me traz, então não vale a pena. É tudo uma questão de medida, que varia de pessoa para pessoa. Há quem aguente um chefe que chateia o ano todo apenas para poder ir à Europa uma vez por ano. (...) Trabalhar mais horas e passar cada vez menos tempo com os amigos e a família para comprar aquele apartamento de luxo. Deixar-se envenenar por um emprego que nos traz zero de alegria para trocar de carro a cada dois anos. Perder o sono pensando nas dívidas feitas para adquirir aquilo que não era necessário, mas vai proporcionar status. Dependendo da medida de cada um, tudo isso pode aumentar substancialmente o peso que se carrega pela vida afora. em troca de algumas "coisas", corre-se o risco de vender a alma em suaves (ou nem tão suaves) prestações."

segunda-feira, 5 de março de 2012

São as águas de março...

Março começou e com ele a vontade de fazer um apanhado dos meus desejos.
Explico já, é que este mês completo 30 anos de vida. Sim, passarei para o time das balzaquianas, da mulheres interessantes e experientes e blá blá blá...
O fato é que essa idéia ainda não é tranquila no meu dia a dia, muito por conta do que a sociedade me cobra e são essas amarras sociais que me deixam cismada.
Às vezes me sinto como alguém totalmente fora do contexto. Todas as minhas decisões foram e continuam sendo contrárias às regras que parecem virar lei para a maioria.
Desde criança, nunca sonhei com casamento, vestido branco ou príncipe encantado. Sempre gostei do pouco convencional. Desde o sonho de ser cientista, que logo que fui apresentada à química abandonei, até a paixãozinha pelo garoto mais rebelde do colégio.
Não penso em filhos por enquanto. Quero ter a opção, mas para o futuro. Só que faço 30 este ano e as pessoas já me cobram  como se o futuro estivesse tão presente a ponto de dizerem um monte de besteira (tá bom, talvez nem tão besteira). Procuro, procuro e não consigo achar o tal do instinto maternal... isso também acho que vem da infância, quando eu inventava de fazer as bonecas ficarem doentes pra acabar com a brincadeira quando me cansava, o que sempre acontecia uns 30 minutos após a casinha das bonecas ficar pronta.
Também não dirijo. Não gosto, tenho medo, não curto. Isso me faz certa falta, mas nada que não possa ser superado. Fiz uma faculdade da qual descobri só gostar da teoria. Na prática, tenho pavor do direito e dos seus trâmites. Prefiro um bom livro a um bom filme, ou mesmo um programa de TV. Aliás, TV pra mim não é diversão, é falta do que fazer. E sendo assim, não ligo a mínima se o meu aparelho é mega ultrapassado.
E todas essas minhas “manias” são tidas como defeitos graves por todos à minha volta. Críticas e mais críticas por todos os lados.
Não gosto de música sertaneja, não gosto de pagode, não gosto de funk.
Será que sou uma espécie de ET em meio ao mundo globalizado das pessoas felizes, dos casais convencionais com seus bebês chorões e seus programinhas enfadonhos domingo no parque?
Já já começo mais uma etapa. Gostaria de manter a minha autenticidade e não sucumbir à maldita pressão social, mas alguém me convida para um casamento e eu já logo penso que é chato ir nas festas de casamento sem um par... porque “as pessoas” comentam.
Queria descobrir um mundo onde as minhas vontades fossem respeitadas, onde eu fosse forte o suficiente para mostrar que eu posso sim, ser feliz do jeito que eu quiser porque não adianta, sou teimosa demais para aceitar qualquer coisa diferente disso.
Se não posso ter o que eu quero - o que EU julgo melhor pra mim, prefiro não ter.
Simples né?