Vamos voltar no
tempo. Em outubro de 2010, o STF proferiu sua decisão sobre o caso Jader
Barbalho, na questão da ficha limpa. E a história, resumidamente, foi a
seguinte:
Havia número par de
ministros na Corte porque Lula não nomeava ninguém para a vaga de Eros Grau. O
STF, então, sabia que estava empatada a questão da constitucionalidade da ficha
limpa, mas, mesmo assim, cedendo à pressão da mídia, colocou o caso Jader em
pauta.
Resultado : empate. E aí é que “a porca torce o rabo”. Resolveu-se na
marretada. Melhor explicando, os ministros, não sem muitos protestos, decidiram,
por maioria, dar uma resposta. E assim se fez. Como o ministro Peluso não quis fazer uso do voto de qualidade, que na
prática significava um voto duplo, entendeu-se que deveria prevalecer a decisão
da instância inferior, no caso o TSE, que havia cassado a candidatura de Jader
por julgar constitucional a ficha limpa. Na época, houve um alerta para o fato
de que se o novo ministro viesse com o entendimento da inconstitucionalidade da
lei para aquele pleito, Jader, independente de seu mérito político, seria um
injustiçado, porque deveria entrar com uma rescisória.
E quem conhece os
meandros da Corte sabe que a decisão da rescisória iria ficar para outro
mandato. Dito e feito. O ministro Fux toma posse e se
alinha com os cinco ministros que entendiam que a lei era inconstitucional para
aquele pleito. O caso de Jader, que já estava decidido, recebe então embargos de
declaração. Seja lá o que precisava ser aclarado, o fato é que vão a plenário os
embargos, e novamente dá-se empate, agora porque falta um julgador diante da
aposentadoria da ministra Ellen. Os ministros Joaquim Barbosa, Fux, Cármen Lúcia, Lewandowski e
Ayres Britto rejeitavam os embargos. Toffoli, Gilmar
Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Peluso
acolhiam os ditos-cujos. O ministro Peluso proclamou
que iria aguardar a nomeação e posse da nova ministra para decidir.
Se a nova
ministra, que nessa altura todo mundo já sabia ser Rosa da Rosa, decidisse
rejeitar os embargos, Jader teria que percorrer o tortuoso mundo da rescisória.
Os embargos, então, eram o atalho salvador. Mais do que salvador, diríamos até
milagreiro, porque vá lá, você, entrar com embargos modificativos de um acórdão
do pleno num recurso extraordinário para ver o que vai dar....
Enfim, era assim
que estávamos. Mas como a coisa já tinha começado torta, por que não entortá-la
mais um pouco ? Foi isso que se deu. Provocado por uma petição adrede engendrada
(e, segundo a Folha de S.Paulo, "após pressão da
cúpula do PMDB"), o ministro Peluso resolveu lançar
mão do tal voto de qualidade, aquele mesmo que ele não usou da outra vez, para
pôr um fim ao caso, acolhendo os embargos e determinando a posse de Jader, que
já perdeu um ano de mandato nessa lengalenga.
Com baixíssima audiência, será o
“the end” desta trama
vergonhosa?
Às vésperas das
festas de final de ano, não é bem o assunto que eu gostaria de comentar... mas
estamos no Brasil, e aqui as coisas acontecem quando se tem menos telespectador
assistindo.
Obrigado pelos elogios! É bom saber que pessoas como você, que tenham uma visão crítica do que acontece ao nosso redor, se interessam pelo que escrevo. E quanto a sua postagem, infelizmente, é o que acontece. Decisões políticas tomadas no apagar das luzes...Quanto menos pressão da sociedade e da mídia, mais fácil ocorrer esse tipo de decisão. E primam tanto pela segurança jurídica...
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