Na primeira segunda-feira do ano, me falta inspiração para escrever,
me sobra nostalgia e preguiça...
Em diversos momentos do dia parei e pensei que então o ano novo enfim chegou...
E agora?
Me lembrei do José... me lembrei do Drummond...
E agora, José?
A festa
acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite
esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é
sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora,
José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir
já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o
bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora,
José?
E agora, José?
Sua
doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio -
e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir
para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é
duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José,
para onde?
...Esqueci de você!
O ano começou.
Começou, minha amiga... Tô amando seu blog.
ResponderExcluirVc sempre foi a mais intelectual, né? rsss... Estou adorando seus textos!!!
Bjoks!!!
Não fala isso que eu fico tímida! hahaha
ResponderExcluirMas que bom q está gostando... agora, eu intelectual? rs Acho que não... rs
Bjo e obrigada!